domingo, 31 de julho de 2011

Somos todos adolescentes

SMS e redes sociais nos tornam ansiosos e avessos a conversas sérias, diz Sherry Turkle, do MIT. Ela recomenda uma dieta tecnológica

Na última década e meia, a professora Sherry Turkle, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), entrevistou famílias e empresas nos Estados Unidos para detectar as influências dos celulares no comportamento das pessoas. O resultado está no livro Alone Together (“Sozinho junto”), lançado este ano. Sherry, 62 anos, diz que falamos demais nas redes sociais, mas dizemos pouco. A única saída é fazer uma “dieta tecnológica”. Não existe uma fórmula que funcione para todo mundo. “Mas você tem de encontrar a sua.”

Como o celular está afetando nosso comportamento?

- Passamos a nos esconder e a evitar dizer coisas difíceis cara a cara. Preferimos mandar um SMS, por exemplo. Com isso, não evoluímos, não discutimos mais as questões importantes. Nem quem cresceu com o telefone quer usá-lo para falar. É mais fácil mandar um e-mail ou SMS. Agora, somos todos adolescentes.

Quais são os efeitos das redes sociais?

- Cada vez mais, estamos construindo ideais sobre os outros e sobre nós mesmos. Criamos expectativas nada reais e colocamos isso no Facebook. As redes sociais nos deixam ansiosos. Vivemos a realidade alheia, e todo mundo está indo a festas, tendo uma vida perfeita. As pessoas são sempre bonitas, bem-sucedidas. Passamos a representar. No trabalho, não conseguimos receber mentoria porque não estamos mais falando sobre os problemas. Ninguém quer mostrar um lado ruim.

Dá para dizer que o celular virou uma espécie de vício?

- Não gosto da metáfora do vício, porque significa que você terá de renunciar a algo. Não podemos abandonar a tecnologia. O que precisamos é de uma dieta digital, fazer correções.

Como começar uma dieta digital?

- Vou dar um exemplo pessoal. É uma questão de perceber quando estou passando dos meus limites. A coisa mais importante para mim é ter momentos livres, sem mandar e receber e-mails. Para conseguir isso, preciso mandar um monte de mensagens de manhã e à noite. Aí, tenho meu dia para escrever, estar com as pessoas, discutir as questões importantes. Esta é minha dieta digital.

Cada pessoa deve ter uma dieta diferente?

- Sim, exatamente como acontece com a alimentação. Algumas pessoas não gostam de doces e não têm de se preocupar com isso. Outras precisam renunciar ao açúcar. Sugiro que, com o tempo, as pessoas aprendam o que é bom para elas. Para algumas, uma dieta pode ser algo como não colocar o e-mail no smartphone. Para outras, não enviar SMS. Ou não atender telefonemas durante as refeições. Isso também vale para reuniões de trabalho, na faculdade, nas aulas. Sempre peço aos meus alunos para desligar os celulares. E eles não têm outra opção.

Fonte: Revista ÉPOCA NEGÓCIOS – Junho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Conheça doze mitos e verdades sobre a segurança do seu computador

Você é capaz de dizer se um firewall substitui um antivírus? E se o computador do usuário está sujeito a ser infectado só de visitar uma página da web? Por mais que especialistas banquem mães digitais e alertem "instale um antivírus, menino", as dúvidas quanto à segurança são sempre presentes. Por isso, o UOL Tecnologia desvenda a seguir 12 mitos e verdade sobre segurança digital; confira:

1) Dois antivírus funcionam melhor que um - MITO
Dois antivírus instalados no computador competem entre si, deixam o sistema mais lento e abrem brecha para que a funcionalidade de um anule a proteção do outro. Em alguns casos, instalar dois softwares dessa categoria é impossível. Na teoria, o banco de dados de um antivírus atualizado deve ser igual ao de seus concorrentes. O que muda, portanto, são detalhes de desempenho e configuração. Escolha o mais apropriado para suas necessidades e imunize sua máquina.

2) É possível ser infectado apenas visitando uma página - VERDADE
Da mesma forma que mensagens de e-mails podem contar scripts maliciosos, os sites podem conter códigos da mesma natureza que são reconhecidos automaticamente pelo navegador. Muitas vezes, esses códigos são inseridos inadvertidamente em sites populares, o que aumenta ainda mais o risco. Manter o navegador e o antivírus atualizados é uma forma de evitar o problema.

3) Vírus podem destruir fisicamente o hardware - VERDADE
Os malwares não têm a capacidade de causar danos físicos diretos à máquina, mas podem induzir algum componente do computador à exaustão ou mesmo alterar os códigos nativos de placas e outras peças. Em alguns desses casos, o usuário pode perder para sempre o componente afetado.

4) Um firewall funciona como um antivírus - MITO
Um firewall é complementar ao antivírus e em hipóteses alguma pode substituí-lo. Os firewalls são programas utilizados para evitar que conexões suspeitas e não autorizadas vindas da internet tenham acesso ao computador do usuário. Grande parte dos antivírus possui bons firewalls. Mesmo assim, os sistemas operacionais contam com uma versão nativa do "escudo digital".

5) Abrir e-mails sem abrir anexo pode ser perigoso - VERDADE
Essa afirmação exige um detalhe técnico. De acordo com Cristine Hoepers, analista de segurança do Cert.br (setor de segurança do Comitê Gestor da Internet no Brasil), algumas mensagens podem vir com códigos maliciosos chamados de scripts embutidos no texto da mensagem.

6) Vírus podem deixar o computador lento - VERDADE
"Tá uma carroça. Deve ser vírus." A frase anterior é quase um dito popular. E quem diz isso está com a razão. Alguns programas maliciosos utilizam a máquina do usuário remotamente para abusar da capacidade de processamento do computador e, entre outras atividades, propagar spams. Além disso, os malwares podem utilizar parte da banda larga do usuário para trocar informações, causando a impressão de que o sinal da internet está debilitado. Portanto, por mais "pesado" que seja um antivírus, é melhor mantê-lo em funcionamento a ter de arcar com as consequências de uma invasão.

7) Os antivírus protegem contra todo tipo de ameaça - MITO
Os antivírus são essenciais, mas não são eficazes como malwares, adwares, spywares ou trojans ( veja aqui o que faz cada uma dessas pragas). Existem programas específicos para esses outros tipos de ameaça. O ideal é manter os dois tipos de softwares instalados e atualizados.

8) Um programa malicioso pode ficar alojado no sistema sem ser notado - VERDADE
Há muita verdade nesta afirmação. Aliás, a maioria das ameaças utiliza essa técnica hoje. Quanto mais "imperceptível" for o invasor, mais danos ele conseguirá executar sem ser notado. Foi-se o tempo em que hackers criavam vírus apenas para importunar os usuários. A crescente demanda de comércio eletrônico e gerenciamento de conta bancária por meio da web têm atraído a ação dos criminosos. Não se esqueça de executar uma verificação em todo o sistema periodicamente.

9) Antivírus pagos são mais eficazes - MITO
Os antivírus pagos costumam oferecer recursos mais sofisticados, que integram outros softwares e facilitam a vida do usuário. Ainda assim, os sistemas de proteção dos softwares gratuitos são tão eficazes quanto, desde que sejam atualizados periodicamente. Segundo Cristine Hoepers, analista de segurança do Cert.br (setor de segurança do Comitê Gestor da Internet no Brasil), não existe um antivírus que proteja o computador contra 100% das ameaças, seja ele pago ou gratuito. Mesmo assim a ferramenta é indispensável.

10) Um vírus pode vir embarcado em um arquivo (ex: JPG, WMV, PDF) - VERDADE
Segundo Cristine Hoepers, analista de segurança do Cert.br (setor de segurança do Comitê Gestor da Internet no Brasil), é possível introduzir códigos maliciosos dentro de arquivos. Esses códigos exploram versões vulneráveis dos softwares utilizados para abri-los. Por isso é tão importante manter os programas sempre atualizados, já que atualizações surgem periodicamente e visam diminuir os riscos.

11) Usar computadores públicos é mais perigoso - VERDADE
Talvez "perigoso" não seja a palavra correta, mas fato é que o usuário não tem o controle dos softwares de um computador público. Sendo assim, o sistema está mais suscetível a abrigar arquivos mal-intencionados, que captam informações confidenciais como contas e senhas. Evite acessar redes sociais e contas de e-mail em locais públicos.

12) Os pendrives podem propagar vírus e outras ameaças - VERDADE
Os crackers abusam do poder de mobilidade do pendrive e desenvolvem ameaças capazes de alojarem-se na unidade de memória (no caso o pendrive) assim que plugada ao computador. Dica: faça uma verificação nas unidades de memória sempre que possível (no gerenciamento do antivírus é possível escolher a verificação para unidades específicas).

Imagem: GettyImages

domingo, 17 de julho de 2011

Paranaenses vencem Copa do Mundo da Computação

14/07/11 - Redação Bem Paraná

Game educativo criado pelos estudantes foi destaque de competição organizada pela Microsoft em Nova Iorque

Pela primeira vez na história da Imagine Cup, torneio organizado pela Microsoft e considerado por especialistas como a Copa do Mundo da Computação, uma equipe paranaense conquistou o 1.º lugar na categoria Projeto de Games – Xbox. A equipe chamada de Signum Games é formada por estudantes do curso tecnológico de Jogos Digitais da Universidade Positivo. O quarteto Thiago Antonio de Souza Ribeiro, Fernanda da Costa Fonteles, Rafaela Costa e Rafael Kaminenko concorreu com equipes da República Tcheca, Tailândia e Canadá e trouxe para casa o prêmio de US$ 8 mil. O projeto chamado de UCAN (em uma tradução literal para o português “você pode”) é um jogo educativo voltado ao público estudante de 8 a 16 anos de idade que tem o objetivo de, com boas ações, inspirar mais pessoas a melhorarem a cidade que vivem.

"A Imagine Cup é uma iniciativa de Cidadania Corporativa da Microsoft que procura estimular o desenvolvimento de jovens talentos, associando o conhecimento que eles possuem em tecnologia com seus ideais de construção de um mundo melhor. Os brasileiros, com muita criatividade, competência e alegria sempre conquistam boas colocações na competição, enchendo o País de orgulho", revela Marines Gomes, gerente de programas acadêmicos da Microsoft Brasil.

Este ano, a Imagine Cup contou com 350 mil jovens inscritos de cerca de 70 países e classificou mais de 400 para a final mundial. O Brasil contou com 42 mil participantes e classificou cinco equipes, sendo o País com a maior representatividade nas finais mundiais.

Em 2012, a final mundial da Imagine Cup será celebrada na cidade de Sidnei, na Austrália. As inscrições para a competição no próximo ano já estão abertas e os estudantes podem obter mais informações no site oficial do evento: www.imaginecup.com

Imagem: GettyImages

domingo, 10 de julho de 2011

Celulares e eletrônicos são principais distrações no trânsito


WASHINGTON (Reuters) - Distrações no trânsito, principalmente com celulares e outros aparelhos eletrônicos, estão associadas a um aumento de 25 por cento nos acidentes nos Estados Unidos, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira.

O estudo da associação de segurança no trânsito Governors Highway Safety Association (GHSA) avaliou mais de 350 publicações científicas com data posterior ao ano 2000.

Ele mostrou que motoristas dirigem distraídos em até metade do tempo e que incidentes causados por distrações têm resultados que variam de danos pequenos a acidentes fatais. O uso de celulares aumenta o risco de batidas, mas não mais que o envio de mensagens de texto.

"Apesar de tudo que foi escrito sobre distração no trânsito, ainda há muito que não sabemos", disse a diretora executiva da GHSA, Barbara Harsha, em nota. "Claramente, é preciso realizar mais estudos sobre o escopo do problema e sobre como resolvê-lo".

Dados do órgão de trânsito norte-americano National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) mostram que, apenas em 2009, quase 5.500 fatalidades e cerca de 500 mil lesões resultaram de acidentes envolvendo motoristas distraídos.

Mortes relacionadas à distração no trânsito representaram 16 por cento das fatalidades em 2009, aumento de 10 por cento em relação a 2005.

O relatório afirmou ainda que leis banindo o uso de celulares no trânsito reduziram seu uso praticamente pela metade desde que foram implementadas, mas a utilização aumentou logo depois.

O estudo não concluiu se o uso de celulares com equipamentos que mantém as mãos livres é menos arriscado que o uso regular.

Também não há evidências que assegurem que proibições a celulares ou mensagens de texto reduzam acidentes ou lesões.

(Reportagem de Molly O'Toole)

Fonte:

http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2011/07/08/celulares-e-eletronicos-sao-principais-distracoes-no-transito.jhtm
Imagem: GettyImages

domingo, 3 de julho de 2011

Tablets levam diversão (e resultados) à terapia de jovens com limitações físicas

ANA IKEDA || Do UOL Tecnologia

Quem vê as fotos das filas quilométricas que se formam a cada lançamento de um tablet novo (leia-se iPad), talvez pense que esses ultraportateis sejam dispositivos supérfluos ou sem utilidade. Mas além dessa “febre comercial” existe a ''onda terapêutica”: muitos profissionais da área de saúde já desenvolvem pesquisas e terapias que envolvem o uso de tablets. Com os dispositivos, eles têm conseguido maior adesão dos pacientes e resultados mais rápidos, como no caso de crianças e adolescentes com câncer ou que são autistas.


Há 15 anos trabalhando com terapia ocupacional, Walkyria de Almeida tem se surpreendido com o efeito “mágico” que os tablets causam nos pacientes do GRAAC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) em São Paulo. A portabilidade do dispositivo -- o paciente não precisa ficar sentado em frente a um PC de mesa --, aliada a aplicativos lúdicos, conquistam imediatamente a atenção dos jovens. “As crianças que reclamavam mais das sessões agora estão mais empolgadas. Temos uma adesão maior com o uso do iPad nos exercícios”, comemora a terapeuta ocupacional.

Desde janeiro, dois tablets que foram doados por voluntários são utilizados por pacientes da instituição com dificuldades motoras -- causadas principalmente por tumores no cérebro e ossos -- em sessões de reabilitação. Nesses casos, diz Walkyria, o mínimo movimento proporcionado em jogos em que o iPad é inclinado para frente e para trás já auxilia crianças e adolescentes com hemiplegia e hemiparesia (paralisia total ou parcial de um lado do corpo).

É o caso de Gustavo Souza, 21, que ficou com movimentos do lado esquerdo do corpo prejudicados após um câncer que atingiu seu sistema nervoso central. Alguns jogos no iPad permitem que ele melhore a mobilidade no punho esquerdo, além de treinar a bilateralidade de movimentos.

Além deles, pacientes da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) usam o iPad para poderem se comunicar com familiares e médicos. “Com um toque na tela, a criança com câncer em estágio avançado pode indicar se está com dor, calor ou outro tipo de desconforto”, explica. Por mês, o grupo atende em média 50 pacientes, com idades que variam de zero a 30 anos -- quase 90% deles são do SUS (Sistema Único de Saúde).

Cerca de 30 aplicativos, entre jogos de movimento ou educativos e programas específicos para comunicação, apoiam o trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde do GRAAC. O objetivo dos terapeutas, destaca Walkyria, é passar a desenvolver aplicativos próprios em conjunto a pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e quem mais tiver interesse. “Teríamos assim mais aplicativos em língua portuguesa e adaptados à nossa cultura.”

O principal desafio, antes disso, é conseguir doações de mais tablets para atingir um total de 15 aparelhos. Além dos iPads, a instituição também usa o Wii. O console de videogame, junto com a plataforma Balance Board, ajuda pacientes que precisam recuperar o equilíbrio ou em preparação para recebimento de próteses.

Comunicação 'simples'

A Casa da Esperança, que oferece educação especializada para cerca de 500 crianças autistas em Fortaleza (CE) e Ananindeua (Pará), iniciou em janeiro um projeto piloto com tablets. O autismo afeta principalmente a capacidade de comunicação e socialização de quem sofre desse transtorno, explica o psicólogo Alexandre Costa, diretor técnico da instituição. “Os indivíduos autistas não são voltados para o mundo social e tendem a se interessar mais por objetos, não por pessoas. É nesse ponto que o tablet mostra um potencial enorme”, detalha.

Costa destaca que o grande trunfo é que a criança, sendo autista ou não, sempre quer mexer num iPad. “A interface touch é muito apelativa, remete a um gesto bem primitivo: apontar e conseguir. É uma comunicação simples.” O segundo passo, depois de “fisgar” a atenção dos pacientes com o tablet, é usar aplicativos específicos – existem mais de 50 deles na App Store – para estimular a comunicação deles.

Um desses programas é o Talk Board, que pode ser personalizado e ajuda a criança autista na organização de rotinas. “Você pode associar uma sequência de imagens a sons gravados com o próprio tablet, como acordar, tomar banho, trocar de roupa, ir à escola”, explica o psicólogo. Outros aplicativos comuns também são usados, como o Garage Band, Photogene, OmniGraffle, Comic Life, e os jogos Angry Birds, Fruits vs Ninjas e Plants vs Zombies.

Um dos casos que mostra o potencial dos ultraportáteis nesse tipo de terapia, comenta Costa, é o de um paciente que parou de falar e agora necessita de sessões para recuperar a habilidade. “Ele sempre gostou de jogos de computador. Um dos games que apresentei a ele foi o Angry Birds. Além dele, o garoto faz atividades escolares no próprio iPad. Mesmo ainda sem recuperar a fala, ele já começa a vocalizar alguns desejos e a fazer alguns gestos instrumentais.”

Isso ocorre porque, segundo o psicólogo, um canal de comunicação (no caso, o tablet) acaba estimulando todos os outros. “A comunicação por um dispositivo não inibe os outros canais, pelo contrário. Na tentativa de se comunicar, o paciente lança mão de todos os recursos”, reforça.

Fonte:

http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/07/01/tablets-ajudam-em-terapia-de-criancas-e-adolescentes-com-cancer-e-autismo.jhtm
Imagem: GettyImages